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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Expectativas em alto mar

Aquele papo que não dá pra viver tendo expectativas é furado. Impossível viver sem elas, é como se elas fossem inerentes à existência de qualquer ser vivo. Acabo de incluir as baratas nesta roda. Há épocas de vacas magras e gordas. Normalmente as vacas magras vêm logo após uma decepção, decidimos que nunca mais na vida vamos esperar nada de ninguém, nem de nós mesmos. Passa uma semana, ou 24 horas, e o discurso se foi. É mais ou menos como o discurso de que toda 2a feira vamos começar um regime.

Agora, nem sempre a decepção ou frustração é agressiva. É possível tomar o famoso balde de água fria de forma educada. Ou melhor, levá-lo. Tá certo que sempre que ele vem, a água parece por demais gelada, como se estivéssemos no inverno mais rigoroso e ainda tomando um banho de águas glaciais. Mas e quando ele não é tão gelado, só frio mesmo, e estamos no outono? Decepciona, claro, mas não dá pra ter raiva. E isso pode ser mais complicado. Quando há raiva, fica mais fácil de detestar e esquecer - só não vale no caso dos ruminantes. Estes mastigarão a raiva para o resto da vida. Então, uma dica, não seja ruminante, está totalmente fora de moda! - E quando o banho é generoso? Ah, que crueldade. Fica a decepção e só ela. Não podemos nem passar o dia todo xingando o maledito, afinal, ele foi tão educado, a água estava apenas fria.

Nos restam duas opções: ou a água apenas fria não extermina todas as expectativas, porque sim, há expectativas que conseguem sobreviver nas temperaturas quase amenas, ou você desenvolve uma mini raiva por água fria e resolve que só é digna de uma água bem gelada, considerando que o banho é inevitável. Só não tente não se molhar, porque até goteira molha!

O bom de tudo isso é que é possível escolher entre as opções acima. Se você achar que não, certifique-se de que não tem mais 15 anos e que rebeldia barata não é chique.


VS.

PS: você terminou de ler e começou a achar que a expectativa pode parecer um girino?

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Mailbox, love




Eles nunca se viram pessoalmente mas se entendem perfeitamente no mundo virtual. Trocam mensagens e recados em todas estas redes sociais. Email nunca trocaram. Nem na mesma cidade moram. Um belo dia, ele pediu o telefone dela, pois passaria três dias na sua cidade para um evento. Ela deu o celular e não esperou que ele ligasse. 

Durante os três dias que ele esteve na cidade, eles se falaram pela internet. Ele acessava o email para ver recados. Ela o via online e puxava papo. Ele se derretia para ela e ela até ficava mais feliz. Porém, por que ele não ligava? Não seria melhor se encontrarem e conversarem ao vivo? Ela passou estes três dias tentando responder estas duas perguntinhas. Ele falava com ela como se não houvesse nada de estranho. De estranho não havia mesmo, mas por que ele pedira seu telefone então? Ela perguntava sobre como estava a estadia dele na cidade e ele respondia normalmente. Ela ficou sem entender.

Os três dias passaram rapidamente. Ele já tinha ido embora e ela ainda se fazia as mesmas perguntas. Outra dia, já não tão belo quanto o outro que passara, ele mandou um recado para ela todo animado. Tinha acabado de assistir um belo filme e gostaria que ela assistisse para que pudessem trocar figurinhas. Ela estava decepcionada com ambos, já que ele não ligou e ela esperou. Mas ele não disse que ligaria! Tá, mas ela esperou mesmo assim. Ela achou que era uma questão de bom senso o telefonema. Só depois percebeu que não, era uma questão de vontade. Ele não teve vontade. No final, ela já estava decepcionada com a vontade dela. Mas ele já estava longe novamente e ela não tinha que perder tempo ruminando algo que ele nunca entenderia, quando ela mesma custou a entender.

O recado que ele havia deixado sobre o filme ela pouco se importou. Ficou com aquela coisa feminina entalada de querer voltar no assunto que nunca nem existiu. Era e última coisa que ela deveria fazer e a primeira que fez. Respondeu o recado dele perguntando porque ele não havia ligado quando pôde ligar. Ele demorou uma semana para respondê-la, o que obviamente a deixou tensa, e deixou a resposta mais sem graça do mundo - "quem disse que eu podia?". Agora ela ficou irritada e com ele mesmo, não quis nem saber dos motivos do rapaz. Deletou o recado e nunca mais respondeu nada.

Ele desapareceu por um ou dois meses, meses estes que foram melancólicos para ela. Ela não podia ficar no pé de um cara que quando pôde estar mais perto, continuou longe. Ele justificou, ela ignorou. Os papos virtuais acabaram e nada sobrou, apenas aquela interrogação chata e teimosa, na cabeça dela, é claro - " o que foi que aconteceu? Como algo termina assim do nada?" - ela realmente acreditava que todas aquelas conversas significavam qualquer coisa além do nada. 

Um semana de chuva depois, ela recebe um email e percebe que o endereço dela é só mais um dos vários ali listados. Era um convite de casamento. Virtual. Dele. A ficha demorou muitos minutos para cair. Aquele email entrara diretamente na sua caixa postal, sem nem ser lido como spam. Que audácia do remetente! Excluiu o infeliz, limpou a lixeira em seguida e passou alguns meses com cólica e pensando que nada terminou do nada, nada nem começou. Os papos dela não falaram a língua dele por algum motivo, e agora não haveria qualquer chance com um casamento marcado.

Felicidades aos noivos e boa sorte pra ela.

VS.

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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Mazelas da vida e cotidiano nervoso

Semana que vem a segunda parte do Primeiro Encontro será postada, para todos que aguardam.

Cheguei na cidade maravilhosa após passar por um tremendo susto no avião. A viagem demorou 1h30 porque tivemos problemas para pousar. Eu que já sou histérica com este meio de transporte, sofri horrores e cheguei destruída na cidade. Não quero nem pensar que terei que enfrentar isso de novo para voltar par Sp. Descobri que não tenho saúde mental para lidar com problemas naquela altura e naque velocidade, em um lugar no qual nem se pode abrir as janelas.

Durante o chá de cadeira que tomei da Gol aproveitei para observar todos ao meu redor, seres que são sempre o meu objeto de estudo. Tinha gente irritada com a espera e gente que pouco de importava. Não muito longe de mim estava uma mulher de quase trinta anos aos prantos. Meus olhos se ativeram ao sofrimento do ser feminino. Ela estava no celular e logo desligou. Olhou para o lado e exclamou com a desconhecida que estava ao seu lado "Que tipo de gente abandona alguém na véspera do casamento!", a mulher se assustou com a pergunta íntima e desesperada mas fez jus ao desespero daquela mulher e não se calou "gente escrota". Ambas ficaram em silêncio por alguns minutos. A mulher recém abandonada levantou-se e agradeceu a estranha ao lado.

Me pus a pensar nos dias que seguiriam o abandono daquela moça. Tentei me colocar na situação dela para descobrir o que poderia ser feito. Não consegui. Passei por um desespero logo depois dentro do avião e lembrei do sofrimento dela. Não eram desesperos parecidos mas me senti próxima a ela, quando deixei por um instante de acreditar que haveria o amanhã.

VS.


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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Mapeamento XY

Muitos homens já disseram que gostam de mulheres que tomam atitude. Porém, na prática, eles se assustam quando isso acontece e têm o hábito de fugir da primeira mulher que sabe o que faz. Por que isso acontece? Não acho que eles mentem ao dizer que gostam de atitude, mas será que eles estão preparados para isso? Já ouvi de um homem maduro que todo homem é primata. Concordei. Isso não é um demérito, mas uma característica que explica muita coisa.

Homens, o que vocês acham? Muitos vão dizer que realmente gostam das mulheres que tomam atitude. Sejam sinceros, vocês lidariam bem com a mulher que sabe o que quer e que dá o primeiro passo? Será que isso não duraria até a página doze? Talvez essa atitude tenha que ser restrita ao primeiro encontro e não possa se manifestar todos os dias. Mulher decidida e cheia de personalidade assusta, e isso é afirmado pelos próprios homens. Mas se assusta, o bom é ser quase-tonta? Ouvi uma vez de um homem mais do que sensato, que os homens precisam se sentir superiores, e por isso a mulher de personalidade forte nem sempre é bem-vinda, porque ela acaba ameaçando a superioridade masculina. Ele me deu vários exemplos, indo dos garotos adolescentes até os homens de 50 anos casados. Fez muito sentido. Perguntei o que estas mulheres deveriam fazer então. Não seria justo que elas sabotassem a própria personalidade. Ele respondeu que elas deveriam ser como são, mas que talvez fosse mais difícil encontrar um cara bacana, mesmo porque, as exigências destas mulheres são sempre de um nível um pouco mais elevado. 

Achei que a vida para estas mulheres era um pouco mais injusta e complicada. Ele me acalmou dizendo que há homens assim também, e que eles encontram dificuldades semelhantes. Perguntei então se ele tinha algum amigo assim e fiquei feliz de vê-lo pensando, pois me trouxe "uma luz no fim do túnel". A resposta dele: "não". Fingi que já sabia a resposta e fiz cara de conformada. Alguns minutos depois ele corrige: "não tenho amigos assim, mas tem eu". Confesso que fiquei aliviada.

Mais alguém se candidata?


VS.


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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Decifrando conduta masculina via sms




Quem entende?

O cara te manda torpedos por uma semana, afim de arrumar um encontro com você. Você responde todos educadamente e ainda fica triste por ter recusado o convite, já que estava com 38 graus de febre. Sim, a febre durou os sete dias. Você melhora, ainda bem, não está mais com aquele nariz vermelho de tanto assoar e nem com a voz fanha, e animada manda um torpedo para ele, dando a boa notícia. Como você não é tímida e costuma tomar iniciativa, já sugere logo o programa, após ter feito um rápido estudo sobre os interesses do rapaz. Ele responde uma hora depois, você sorri, porque viu que entrou mensagem dele no celular.

Problema. Hora de recorrer aos seres inteligentes e vividos. Ele não aceita o convite e ainda pergunta que é você. Oi? Eu não fiquei doente um mês, tempo que até eu acharia suficiente para você desistir, mas uma semana. Sendo que nessa uma semana, trocamos mensagens-celulóricas quase todos os dias, ou seja, estávamos em  contato. Tá, já entendi que isso é um pé na bunda, mas assim, não dava pra ter feito um pouco diferente? Não combinou com toda aquela educação. 

VS.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

O primeiro encontro (parte 1)

É verdade que no primeiro encontro entre um homem e uma mulher, o foco masculino é o visual, e que só depois da embalagem ser aprovada é que ele vai ver se a mulher tem alguma coisa boa dentro da cabeça?  Me disseram que era regra, mas como para toda regra há uma exceção, eu estava tranquila.

- Compre um sutiã lindo e use algo decotado. 
- Impossível. Tenho senso de ridículo e não vou por um decote para mostrar uma tábua. 
- Tudo bem, tudo bem. Então compre um belo par de brincos, que ajuda a destacar o seu rosto.
- Não vai dar, tenho alergia a todos os brincos. 
- Tá, então coloque uma roupa charmosa, faça as unhas, passe uma maquiagem levinha e pronto. 
- Isso eu acho que dá. 
- Não esqueça de colocar um sapato de salto, porque alonga e todo homem adora. 
- Sim, claro. Eu não estava pensando em ir de all star e nem de meia soquete. 
- Passe um bom perfume. 
- Ok, já sei que os perfumes europeus são mais doces e devem ser usados com cautela por nós, seres tropicais. 
- Ah, leve só o essencial na bolsa, para não ter que usar nenhum trambolho. 
- Sim, não estava pensando em recorrer ao maleiro, mas isso só porque vamos jantar, porque se fôssemos viajar, eu faria exatamente isso. 
- Ninguém vai viajar no primeiro encontro. 
- Ué, vai que ele é guia turístico e fanático pela profissão!
- Você não namoraria um. 
- E nem você seria amante do zelador do prédio! 
- Tá bom, tá bom.
- Não fale só de você, homem detesta isso.
- E falar dele, pode?
- Pode, mas evite um pouco o "eu e você".
- Ai, que difícil. 
- Coma comedidamente e não peça sobremesa. 
- Nossa, isso tá parecendo uma noite no Inferno. 
- Não, é só no primeiro encontro.  Depois de alguns encontros você já pode se soltar um pouco mais. 
- Alguns encontros? Você não disse que era só no primeiro? 
- É, mas este "primeiro" dura até você conquistá-lo, até ele começar a te ligar.
- Isso quer dizer então que eu não vou ligar no dia seguinte para dizer que foi agradável a noite?! 
- Óbvio! 
- Mas se eu gostei não seria legal dizer?
- Não, não seria. 
- Se não aguentar ficar quieta, liga pra mim e pronto. 
- Ai, acho que não quero mais brincar disso, não. Muito difícil, credo. Tá pior que ritual de passagem indígena. 
- Mas calma. Preocupe-se com hoje somente. Se ele não gostar, não vai ter amanhã.
- Estou me sentindo um protótipo que aguarda ser aprovado pelo departamento!!
- É, o homem vai ter que aprovar!
- Mas isso é muito machista. E eu? Quem disse que eu vou gostar? Ele deveria estar preocupado com isso!
- Mas não está. E é machista... mas você tem a opção de desistir dos homens!
- Não, não é isso. Mas só de pensar que tenho que seguir tantas regras para ter a chance de dar certo, me dá raiva. Não acho muito justo.
- É, realmente já foi provado que esta postura do "seja você mesmo" não funciona na maioria dos primeiros encontros.
- Mas e se a mulher for exatamente desse jeito que você está dizendo para eu ser.
- Primeiro que isso não existe, segundo que nem que existisse, não é o seu caso.
- Tá. Eu vou e farei tudo seguindo estas coordenadas. Deixe seu celular ligado, porque qualquer coisa eu te ligo!
- Pra que?
- Pra fofocar, ué. Dizer como ele é...
- Ok. Mas vai dar tudo certo e você nem irá lembrar que tem um celular! Ah, e por favor, tire aquela sua musiquinha ridícula de toque, espanta até o homem mais tranquilo do mundo!


Segui para o primeiro encontro. Era um protótipo de qualquer coisa perfeito. Seria eu aprovada pelo CEO?

(continua)


VS.

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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Ecos femininos

Eu não faço a mais vaga idéia do que vai acontecer daqui pra frente, mas o fato é que eu não quero mais você. Eu sei que ontem parecia estar tudo bem, mas parecia, não estava. Pra você foi um domingo de preguiça e gostosinho, pra mim foi um domingo arrastado e sem graça. Você me abraçava enquanto assistíamos aquele filme que eu nem se quer prestei atenção no nome. Pausou o filme para fazer pipoca e ficou todo feliz com aquele balde lotado de milhos explodidos. Eu nunca como pipoca, e você ainda compra aquela pipoca com sabor que é horrível. Achei que o chocolate fosse me salvar, mas não, você comeu o seu e o meu.

Você teceu comentários sobre o filme enquanto eu organizava na minha cabeça os horários da semana. Você foi capaz de ficar quarenta minutos comentando sobre o filme e não achar estranho que eu não fiz uma intervenção. Nem sorri. Estaria eu séria demais ou seria você um desatento de plantão? Faz tempo que as coisas não estão bem entre a gente, mas para alguém que raramente janta em casa, chega super tarde todos os dias, e engole o café-da-manhã antes mesmo de me dar bom dia, fica difícil perceber mesmo. Você dizia não me dar bom dia para não me acordar. Nunca te ocorreu que eu adoraria ser acordada com estas duas palavrinhas batidas saindo da sua boca. Certamente te ocorreu que seu time seria campeão do Campeonato e por isso você passou o sábado na casa dos seus amigos. Programa que mulher não vai. Os seus amigos são membros da Liga dos Bobos? Avisa eles que vão todos ficar solteiros, porque as suas respectivas mulheres vieram aqui no sábado e passaram o dia reclamando deles, comigo, claro. 

Vou ter que passar a semana repetindo que não quero mais você, pra ver se no final de semana você já entendeu. A minha viagem é daqui quinze dias, então, se eu não estiver em casa neste próximo sábado e domingo, é porque eu fui embora da sua vida, e não porque estou viajando a trabalho. Se o celular estiver em cima do aparador, não ligue desesperadamente para mim, eu terei trocado de aparelho e número e achei que você quisesse ficar com o aparelho antigo. Deixarei desligado, então não insista em ligar para o aparelho que estará na sua frente. Preste atenção e talvez você economize suas bobagens. Ah, e quando entrar uma moça em casa na segunda-feira, não é a próxima pretendente ou sua amante, mas a diarista que contratei para garantir que você será um porquinho fora do chiqueiro. 


VS.

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domingo, 20 de setembro de 2009

Noite de dois (II)

Eu me sentia a dona do mundo naquele exato momento, ou melhor, eu era a dona. Aquele homem seria possuído por mim em instantes. Aquela mulher não atrapalharia o meu caminho e eu nem preocupada estava. Não tinha nenhum adolescente lá para disputar o espaço de forma pouco engenhosa. A situação exigia habilidades gerais e sedução natural. A favor de todos nós, os três gozavam destas qualidades.

O apartamento era espaçoso e moderno. Para quem acha que todo homem é bagunceiro, aquele desafiava a regra. Tudo devidamente no lugar, até o leite do café da manhã. A faxineira poderia ter ido no mesmo dia ou no dia anterior, mas não importa, aquele homem tinha a capacidade de manter um lugar em ordem por mais de 14 horas. Ponto pra ele. A música continuava a nos acompanhar com a bela voz de Z. É assim que devemos chamá-la. Ela tinha um sorriso perfeito e uma voz levemente rouca. Ele estava extasiado com tantas fêmeas no local. Ainda com gosto de Blue Label na boca, caminhei lentamente em direção ao que eu supus ser o quarto dele. Fui posta contra a parede com força e marcada com seus gestos brutos e boca firme. Queria aquele homem entrar dentro de mim? Era bom que quisesse. A cama pareceu pequena para nós dois e eu gostava do arrepio provocado pelo prazer  e pelo piso frio. Meu corpo quente jamais cederia à baixa temperatura do piso e seria arrepiado a cada toque. 

Meu cabelo já grudava no rosto. Eu sorria nervosa. Eu sabia que tinha conseguido mas já estava ansiosa pela próxima noite, algo que eu esconderia até o fim. A virilidade certeira daquele homem o levou à exaustão e foi quando ele amoleceu sob o meu corpo e pude ver pela fresta da porta entreaberta que Z. observava atenta aqueles dois corpos. Estaria ela lá desde o início?Seria Z. uma típica voyer? Por um momento me desliguei daquele corpo pesado e me concentrei naquela mulher. Nossos olhares se cruzaram. Ela sorriu e eu tive a absoluta certeza que era atrás da porta que ela queria estar. Ela não abdicou de nada, apenas me mostrou que a posição para o seu prazer era aquela, de observadora. Teria ela sentido mais prazer que eu e ele juntos? Fechei os olhos e senti meu corpo levitar. As gotas de suor escorriam na lateral do meu rosto. Z. entrou no quarto e seu corpo despido era óbvio e branco. Ela parecia entorpecida por nós. Ofereceu-me um gole do que bebia e sentou-se para observar o corpo ainda desfalecido de prazer. 

Antes que eu pudesse fazer ou dizer algo, ele se levantou, olhou fixamente para Z. como se quisesse avisá-la que chegara a sua vez, e a sentiu em seus braços. Ela fechou os olhos e já não cantava mais. Foi mulher daquele homem que eu sei que saberia ser. Sentiu prazer  e deixou claro para quem quisesse ouvir. Permaneci deitada, não fui para atrás da porta, mas fiz questão de ser ouvinte e abrir meus olhos. Eu não poderia cantar como aquela mulher, mas poderia experimentar algumas das posições já ocupadas por ela. Respiramos o mesmo ar, gozamos com o mesmo corpo, sentimos a mesma pele e éramos assumidamente vulneráveis ao prazer.

VS.

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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Noite de dois



Era a primeira vez que eu ia naquele lugar. Bonito, quase chique. Andei poucas quadras e ouvi uma música da esquina, o que me convidou a entrar naquele ambiente até então desconhecido e escuro. Confesso que como amante da cidade de São Paulo, desbravei poucos esconderijos. 

O ambiente não era escuro por completo. Logo na entrada havia muita luz, e podíamos ver todos os rostos ali presentes. Rostos sorridentes, divertidos e simpáticos. Aquele não era um lugar para praticar a seriedade. Eu estava sozinha e isso não me incomodou nem quando vi que todos ali presentes estavam acompanhados. Eu não conhecia muita gente na cidade e, os poucos que conhecia, não eram agradáveis o suficiente para merecerem o meu convite naquela noite. Era uma noite clara e agradável, e eu não pararia no drink e na boa música. Era uma noite para ir além. 

Segui as notas musicais e me vi em um salão com meia luz, uma banda, e quase todas as cadeiras e mesas ocupadas por rostos similares aos da entrada.  A única cadeira vazia fora prontamente ocupada por mim. Sentei-me e tratei de observar aquele ambiente. A banda era ótima e todas aquelas músicas podiam perfeitamente reger a minha noite. Uma noite de dois. Encostado em uma das paredes e relativamente próximo, havia um rapaz de trinta e poucos anos, com cara de gringo e bem vestido. Certamente ele não era estrangeiro, mas seus traços talhados e marcantes enganavam.  Ele bebia com convicção sua dose de whisky, enquanto eu tomava o meu champagne. Dizem que champagne só se toma acompanhado. Eu nunca liguei pra nada disso e, mesmo que fosse verdade, era só uma questão de tempo. 

Não demorou muito o tal rapaz me notou. Eu não fiz qualquer questão de disfarçar e retribui o olhar com mais certeza ainda, assim agilizava o processo. Ele sorriu e veio até mim. Ficamos encostados na parede e conversando sobre nossos gostos. Ele era muito educado e não avançaria o sinal tão rapidamente, como eu gostaria. Eu teria de ter paciência. A música me envolvia de maneira alucinante e eu já não cabia em mim. Não estava mais disposta a esperar, eu queria aquele homem pra mim e agora. Paciência nunca foi o meu forte e, com aquela música, impossível passar a ser. Ele tinha uma voz grave e sorria para me perturbar sem fim. Eu puxei seu corpo contra o meu e, sem dar espaço para qualquer saída, experimentei seu gosto. Era exatamente aquele beijo que eu queria. Ele tomava Blue Label, pude sentir na língua. 

Perguntei se ele gostaria de me acompanhar e dar uma volta, afinal, não podíamos nos explorar ali, naquele ambiente. Ele topou mas disse que só poderia sair depois do show. Eu tinha então ainda meia hora para terminar toda a minha garrafa de champagne antes de partir. Nesta meia hora não trocamos beijos e toques. A cantora nos encarava e ele parecia conhecê-la. Ela dançava com passos calculados e ele foi tomado por uma vontade tremenda de devorar aquela mulher. Eu queria aquele homem e ele fincou suas mãos em mim ao ouvir o sussuro dela no microfone. O show terminou e ele se retirou. Conversou alguns poucos minutos com os integrantes da banda, voltou e me pediu para que eu o encontrasse em cinco minutos na saída. Paguei minha conta, fui ao banheiro garantir que eu merecia aquela noite e me dirigi à entrada. 

Lá estava ele dentro de seu carro. Lá estava ela com ele. Aquilo era tão pouco importante naquele momento. Aquele homem seria meu na frente dela ou não. Entrei no carro e seguimos para o apartamento dele. No caminho, ela cantava para nós e ria com euforia,  eu cravei minhas mãos no pescoço dele para massageá-lo e ele dirigia rapidamente, atropelando todas as leis. Sem regras e detalhes, a noite era minha e merecia ser sufocada de libido.


VS.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Faça o que puder fazer

Eu tive que me distanciar um pouco daquele momento, para perceber que eu nunca imaginei que você fosse tão pervertido. Não mesmo. Tá certo que eu passei meses me imaginando na cama com você, era o que eu mais queria e não fazia disso um segredo. O tempo foi passando e eu tinha certeza que isso jamais aconteceria, que ia ficar tudo na minha imaginação e eu que tirasse proveito de tudo isso. De repente me vejo ali, nua, ao seu lado, completamente entregue.

A sua virilidade é tanta que até me machuca, mas eu gosto. É aquela dor consequente da extrema  vontade do outro. Você quer me possuir e praticamente me devora. Eu não sairei sem marcas e isso não tem a menor importância. Você usa tanto a sua força que não posso dizer que o que estamos fazendo é sexo. Faça o que você quiser, mas não insista depois de qualquer "não" meu. "Vira?", "Não". Fui clara. Faça o que for possível. Você é capaz. Sei que não vai falhar, mesmo porque eu não vou deixar. 

Entre em mim agora e depois a gente cuida do amanhã. 


VS.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Catarina, grávida, decidida e ferrada

Catarina engravidou sem querer de um cara que mal conhecia. Mal mesmo. Passou a noite de papo e depois na cama dele. O razoável seria ela tirar essa criança, mas como Catarina desconhece o ser razoável, ela resolveu tê-la e ainda contar para o desconhecido que estava grávida dele. 

Como dar uma notícias dessas? Avisa por MSN? Não dava nem pra ligar, ele não deu o telefone. Eles não tinham amigos em comum. Nada. Ela sabia algumas coisas sobre a vida dele, poucas o suficiente para levá-la até ele. Ou não. Ele teria como escapar. O fato é que ela estava na merda, porque se dispôs a criar uma criança sozinha e sem grana. A criança um dia perguntaria do pai e Catarina teria que dizer que naquela família não havia pai -  " Você não tem papai, minha filha. Nunca teve. Nasceu porque eu quis." - e olha que eu duvido desse tanto querer.

Se você acha que ter esta criança vai fazer com que aquele cara volte pra você, esqueça. Isso já não está na moda e nem é uma tendência. Aliás, nunca foi. Algumas pessoas um dia acreditaram nisso porque não tinham mais nada para pensar. E quer saber, você nem quer este cara. Quer o que então? Porque o cara nem rico é para você poder dizer que é oportunista. Ele é bacana, bonito, inteligente, e está cagando pra você, querida.

Catarina abriga um feto de dois meses. Ou ele deixa de ser agora, ou ela não pode deixar de ser jamais. 


VS.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Debbie Harry é eterna blondie-girl

Debbie Harry vai ser sempre blondie, e faz jus ao trocadilho da palavra.

Cantora, compositora e também atriz, ela ficou conhecida com sua banda Blondie, no final da década de 70. Figurinha carimbada do famoso e cobiçado Studio 54 e musa do badalado Andie Wahhol, Debbie Harry envelheceu com glamour, já que ícone sempre envelhece um pouco diferente de nós mortais!

Será que quando a lenda é loira o envelhecimento é mais generoso? Blondie time!

Vejam como o tempo passa e ela não desce do salto! Sempre falaram de um certo poder das loiras, mesmo quando dizem que elas são burras! Take a look:
fotografada por Andie Warhol




hoje com 64 anos


VS.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Quando o X e o Y fazem a diferença


imagem do filme "Encontros e Desencontros"

Uma pessoa ainda muito jovem disse a seguinte frase: "o que um homem e uma mulher buscam em uma relação é bem diferente". Esta pessoa é um garoto, que se diz diferente da maioria e assume colecionar mais "não" do que seus amigos considerados filhos-da-mãe. 

Ele me chama pra vida:

 - As mulheres gostam dos que não querem nada também, procuram isso. Quantas mulheres você acha que se interessam pelo cara bacana, que adora conversar e que talvez não tenha o tênis da moda, mas está bem vestido?
 - Muitas!
 - Não. Poucas. Te pergunnto: você conhece um cara assim?
 - Aham. Dois.
 - As mulheres vivem no pé deles?
 - Não.
 - Viu?
 - Mas eles estão ou comprometidos ou enrolados. 
 - Sim. Mas garanto pra você que eles têm as mesmas dificuldades das mulheres que não são como a maioria. Você não acha um cara bacana tão fácil, assim como eles também não acham.
 - Nossa, mas conheço várias mulheres ótimas. Tem mais mulher assim do que homem.
 - Talvez, mas pense que você acha isso porque está olhando para as suas amigas, porque talvez você tenha mais amigas solteiras do que amigos.
 - É, pode ser.
 - Os casais que você conhece são feitos de pessoas legais e decentes?
 - Sim, muito. Como alguns encontram com tão mais facilidade do que outros?
 - Às vezes eles esperam menos do outro. 
 - Mas este outro que foi achado é tão incrível, não tem como esperar menos dele.
 - Pode ser incrível, mas tenho certeza que você supervaloriza esse incrível só porque ele não está com você. Até porque, você nunca se relacionou com essa pessoa para saber se ela é tudo isso mesmo. Já te ocorreu que o namorado lindo, simpático e inteligente da sua amiga pode ser cheio de manias chatíssimas?
 - Não.
 - Viu? Porque só te ocorre o lado bom. Você nem pensa nos defeitos. Assim fica difícil mesmo. Você obviamente vai se sentir um lixo e injustiçada pelo mundo, porque suas amigas namoram as pessoas mais perfeitas e você não. 
 - Talvez então elas não sejam tão perfeitas.
 - Certamente! Mas isso você não vê porque não quer e porque talvez não esteja ao seu alcance. Porque certamente o cara vai se portar de um jeito na sua frente, quando você sair com o casal, e de outro quando ele estiver escovando os dentes antes de dormir com a namorada dele e sua amiga. 
 - Tá. Acho que me sinto melhor então.
 - Bem-vinda ao mundo!


Vocês já fizeram esta reflexão? Qual é a maior diferença entre o sexo feminino e masculino? Esqueçam as físicas. E aqueles homens super apaixonados e intensos, diriam o que sobre isso tudo? O homem prefere se relacionar em uma instância física apenas? Porque eu não acho que seja uma incapacidade, mas seria uma escolha?


VS.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Imprestável: uma categoria sem categoria



É realmente inacreditável como tem gente que não presta. E não precisa ser assassino, ladrão, pedófilo ou uma aberração. Para mim, alguém já deixa de prestar por muito menos. Você vai listando os defeitos da pessoa, e tem algumas combinações deles que, em resumo, você já pode afirmar: esse não presta. A lista não precisa ser enorme, a questão aqui é qualitativa mesmo. 

O mais fenomenal é que alguém pode não prestar para você e beirar a perfeição para outrem. Incrível, não? Afinal de contas, aquele cara que foi super filho-da-mãe com você e revolucionou o conceito de "escrotidão" do mundo, o quão você largou assim que não aguentava mais sofrer, vai achar alguém e rapidinho. Uma mulher que vai dizer que ele é lindo, inteligente e cheiroso, mesmo quando a escrotidão dele foi anunciada para o mundo. É possível, inclusive, que uma grande amiga sua, que acompanhou todo o seu sofrimento, apaixone-se por ele e desista de você.

Eu rasgo elogios para aquelas pessoas que conseguem detectar que um ser não presta e desencanar dele no mesmo instante. Esta pessoa evoluída sofre de esperteza, racionalidade ou amor próprio mesmo. Já faz algum tempo que estou em dia com o meu amor próprio, mas hei de confessar que passo horas do meu dia e dias do ano, tentando entender como alguém pode ser tão imprestável. O meu botão do "foda-se, ele que se exploda" pifa diversas vezes e ainda não há assistência técnica para isso. E aqui, assistência técnica não é terapia. Tem gente que vai dizer que para alguém ser imprestável tem que fazer muita coisa errada. Eu já disse e repito: tem que nada. A combinação de adjetivos-defeitos é o que importa e, reitero, pode até ser uma dupla deles. 

Você é grosso e egoísta? Não presta.

Você é maleducado e burro? Não presta.

E por aí vai. Se tiver duzentas fichas na polícia não entra nesse patamar. Esta fora do meu vocabulário, que fique claro. Fernandinho Beira-Mar pra cima de mim não. A sabedoria está em não se relacionar com estas pessoas sem esforço. É tudo uma questão de princípios e não mais de defeitos. Isso você pode sempre alegar, se estiver muito difícil dar o fora. 

Olhos abertos, amor próprio como melhor amigo, radar ligado e postura! Pronto, não tem como errar. Se alguém quiser dar consultoria personalité no assunto, eu aconselho investir, pode dar muito dinheiro, e não importa em que crise estamos!

obs: namorados, amigos, familiares, conhecidos e colegas, todos podem ser imprestáveis. O imprestável é uma categoria sem subcategorias.


VS.