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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O Sonho e a Pele

Duas pessoas na parede. Voracidade e algumas roupas no chão. Foi isso que aconteceu no apartamento 112 daquele edif'ício antigo do bairro Parisiense. Não estamos em Paris, mas o bairro recebeu este nome por sua grande similaridade com a bela cidade da luz. Ela se irrita com a infiltração do prédio, mas já é conhecida por todos e não há quem não queira ajudá-la com algo. Nem sacolinha do supermercado ela carrega. Talvez por isso o porteiro a chame de madame. Responsabilidade dele este mimo todo. Ela só sorri e agradece.

Aqueles dois viveram aquele momento como se fosse o último de suas vidas. Havia um desejo latente que explodiu sem pedir licença. Algumas horas se passaram até os dois corpos cairem cansados no chão. Uma exaustão com um breve fim, já que tudo começaria de novo em instantes. Eles não podiam perder tempo, não mais do que já tinham perdido. Viviam agora na maior luxúria de todas e na vontade mais dilacerante de todos os tempos. Desejo que morde.

Logo anoiteceu e eu pouco pude entender o que acontecera. O abajour da sala estava aceso, mas os dois já se encontravam no quarto. A iluminação era escassa e indireta. Gemidos eram ouvidos e se davam em uma mistura de prazer e ansiedade. Calma. A ansiedade já poderia partir, aqueles corpos estavam quase que fundidos.

(continua).

VS.

domingo, 20 de setembro de 2009

Noite de dois (II)

Eu me sentia a dona do mundo naquele exato momento, ou melhor, eu era a dona. Aquele homem seria possuído por mim em instantes. Aquela mulher não atrapalharia o meu caminho e eu nem preocupada estava. Não tinha nenhum adolescente lá para disputar o espaço de forma pouco engenhosa. A situação exigia habilidades gerais e sedução natural. A favor de todos nós, os três gozavam destas qualidades.

O apartamento era espaçoso e moderno. Para quem acha que todo homem é bagunceiro, aquele desafiava a regra. Tudo devidamente no lugar, até o leite do café da manhã. A faxineira poderia ter ido no mesmo dia ou no dia anterior, mas não importa, aquele homem tinha a capacidade de manter um lugar em ordem por mais de 14 horas. Ponto pra ele. A música continuava a nos acompanhar com a bela voz de Z. É assim que devemos chamá-la. Ela tinha um sorriso perfeito e uma voz levemente rouca. Ele estava extasiado com tantas fêmeas no local. Ainda com gosto de Blue Label na boca, caminhei lentamente em direção ao que eu supus ser o quarto dele. Fui posta contra a parede com força e marcada com seus gestos brutos e boca firme. Queria aquele homem entrar dentro de mim? Era bom que quisesse. A cama pareceu pequena para nós dois e eu gostava do arrepio provocado pelo prazer  e pelo piso frio. Meu corpo quente jamais cederia à baixa temperatura do piso e seria arrepiado a cada toque. 

Meu cabelo já grudava no rosto. Eu sorria nervosa. Eu sabia que tinha conseguido mas já estava ansiosa pela próxima noite, algo que eu esconderia até o fim. A virilidade certeira daquele homem o levou à exaustão e foi quando ele amoleceu sob o meu corpo e pude ver pela fresta da porta entreaberta que Z. observava atenta aqueles dois corpos. Estaria ela lá desde o início?Seria Z. uma típica voyer? Por um momento me desliguei daquele corpo pesado e me concentrei naquela mulher. Nossos olhares se cruzaram. Ela sorriu e eu tive a absoluta certeza que era atrás da porta que ela queria estar. Ela não abdicou de nada, apenas me mostrou que a posição para o seu prazer era aquela, de observadora. Teria ela sentido mais prazer que eu e ele juntos? Fechei os olhos e senti meu corpo levitar. As gotas de suor escorriam na lateral do meu rosto. Z. entrou no quarto e seu corpo despido era óbvio e branco. Ela parecia entorpecida por nós. Ofereceu-me um gole do que bebia e sentou-se para observar o corpo ainda desfalecido de prazer. 

Antes que eu pudesse fazer ou dizer algo, ele se levantou, olhou fixamente para Z. como se quisesse avisá-la que chegara a sua vez, e a sentiu em seus braços. Ela fechou os olhos e já não cantava mais. Foi mulher daquele homem que eu sei que saberia ser. Sentiu prazer  e deixou claro para quem quisesse ouvir. Permaneci deitada, não fui para atrás da porta, mas fiz questão de ser ouvinte e abrir meus olhos. Eu não poderia cantar como aquela mulher, mas poderia experimentar algumas das posições já ocupadas por ela. Respiramos o mesmo ar, gozamos com o mesmo corpo, sentimos a mesma pele e éramos assumidamente vulneráveis ao prazer.

VS.

obs: respondam a enquete ao lado.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Noite de dois



Era a primeira vez que eu ia naquele lugar. Bonito, quase chique. Andei poucas quadras e ouvi uma música da esquina, o que me convidou a entrar naquele ambiente até então desconhecido e escuro. Confesso que como amante da cidade de São Paulo, desbravei poucos esconderijos. 

O ambiente não era escuro por completo. Logo na entrada havia muita luz, e podíamos ver todos os rostos ali presentes. Rostos sorridentes, divertidos e simpáticos. Aquele não era um lugar para praticar a seriedade. Eu estava sozinha e isso não me incomodou nem quando vi que todos ali presentes estavam acompanhados. Eu não conhecia muita gente na cidade e, os poucos que conhecia, não eram agradáveis o suficiente para merecerem o meu convite naquela noite. Era uma noite clara e agradável, e eu não pararia no drink e na boa música. Era uma noite para ir além. 

Segui as notas musicais e me vi em um salão com meia luz, uma banda, e quase todas as cadeiras e mesas ocupadas por rostos similares aos da entrada.  A única cadeira vazia fora prontamente ocupada por mim. Sentei-me e tratei de observar aquele ambiente. A banda era ótima e todas aquelas músicas podiam perfeitamente reger a minha noite. Uma noite de dois. Encostado em uma das paredes e relativamente próximo, havia um rapaz de trinta e poucos anos, com cara de gringo e bem vestido. Certamente ele não era estrangeiro, mas seus traços talhados e marcantes enganavam.  Ele bebia com convicção sua dose de whisky, enquanto eu tomava o meu champagne. Dizem que champagne só se toma acompanhado. Eu nunca liguei pra nada disso e, mesmo que fosse verdade, era só uma questão de tempo. 

Não demorou muito o tal rapaz me notou. Eu não fiz qualquer questão de disfarçar e retribui o olhar com mais certeza ainda, assim agilizava o processo. Ele sorriu e veio até mim. Ficamos encostados na parede e conversando sobre nossos gostos. Ele era muito educado e não avançaria o sinal tão rapidamente, como eu gostaria. Eu teria de ter paciência. A música me envolvia de maneira alucinante e eu já não cabia em mim. Não estava mais disposta a esperar, eu queria aquele homem pra mim e agora. Paciência nunca foi o meu forte e, com aquela música, impossível passar a ser. Ele tinha uma voz grave e sorria para me perturbar sem fim. Eu puxei seu corpo contra o meu e, sem dar espaço para qualquer saída, experimentei seu gosto. Era exatamente aquele beijo que eu queria. Ele tomava Blue Label, pude sentir na língua. 

Perguntei se ele gostaria de me acompanhar e dar uma volta, afinal, não podíamos nos explorar ali, naquele ambiente. Ele topou mas disse que só poderia sair depois do show. Eu tinha então ainda meia hora para terminar toda a minha garrafa de champagne antes de partir. Nesta meia hora não trocamos beijos e toques. A cantora nos encarava e ele parecia conhecê-la. Ela dançava com passos calculados e ele foi tomado por uma vontade tremenda de devorar aquela mulher. Eu queria aquele homem e ele fincou suas mãos em mim ao ouvir o sussuro dela no microfone. O show terminou e ele se retirou. Conversou alguns poucos minutos com os integrantes da banda, voltou e me pediu para que eu o encontrasse em cinco minutos na saída. Paguei minha conta, fui ao banheiro garantir que eu merecia aquela noite e me dirigi à entrada. 

Lá estava ele dentro de seu carro. Lá estava ela com ele. Aquilo era tão pouco importante naquele momento. Aquele homem seria meu na frente dela ou não. Entrei no carro e seguimos para o apartamento dele. No caminho, ela cantava para nós e ria com euforia,  eu cravei minhas mãos no pescoço dele para massageá-lo e ele dirigia rapidamente, atropelando todas as leis. Sem regras e detalhes, a noite era minha e merecia ser sufocada de libido.


VS.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Faça o que puder fazer

Eu tive que me distanciar um pouco daquele momento, para perceber que eu nunca imaginei que você fosse tão pervertido. Não mesmo. Tá certo que eu passei meses me imaginando na cama com você, era o que eu mais queria e não fazia disso um segredo. O tempo foi passando e eu tinha certeza que isso jamais aconteceria, que ia ficar tudo na minha imaginação e eu que tirasse proveito de tudo isso. De repente me vejo ali, nua, ao seu lado, completamente entregue.

A sua virilidade é tanta que até me machuca, mas eu gosto. É aquela dor consequente da extrema  vontade do outro. Você quer me possuir e praticamente me devora. Eu não sairei sem marcas e isso não tem a menor importância. Você usa tanto a sua força que não posso dizer que o que estamos fazendo é sexo. Faça o que você quiser, mas não insista depois de qualquer "não" meu. "Vira?", "Não". Fui clara. Faça o que for possível. Você é capaz. Sei que não vai falhar, mesmo porque eu não vou deixar. 

Entre em mim agora e depois a gente cuida do amanhã. 


VS.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Quando o X e o Y fazem a diferença


imagem do filme "Encontros e Desencontros"

Uma pessoa ainda muito jovem disse a seguinte frase: "o que um homem e uma mulher buscam em uma relação é bem diferente". Esta pessoa é um garoto, que se diz diferente da maioria e assume colecionar mais "não" do que seus amigos considerados filhos-da-mãe. 

Ele me chama pra vida:

 - As mulheres gostam dos que não querem nada também, procuram isso. Quantas mulheres você acha que se interessam pelo cara bacana, que adora conversar e que talvez não tenha o tênis da moda, mas está bem vestido?
 - Muitas!
 - Não. Poucas. Te pergunnto: você conhece um cara assim?
 - Aham. Dois.
 - As mulheres vivem no pé deles?
 - Não.
 - Viu?
 - Mas eles estão ou comprometidos ou enrolados. 
 - Sim. Mas garanto pra você que eles têm as mesmas dificuldades das mulheres que não são como a maioria. Você não acha um cara bacana tão fácil, assim como eles também não acham.
 - Nossa, mas conheço várias mulheres ótimas. Tem mais mulher assim do que homem.
 - Talvez, mas pense que você acha isso porque está olhando para as suas amigas, porque talvez você tenha mais amigas solteiras do que amigos.
 - É, pode ser.
 - Os casais que você conhece são feitos de pessoas legais e decentes?
 - Sim, muito. Como alguns encontram com tão mais facilidade do que outros?
 - Às vezes eles esperam menos do outro. 
 - Mas este outro que foi achado é tão incrível, não tem como esperar menos dele.
 - Pode ser incrível, mas tenho certeza que você supervaloriza esse incrível só porque ele não está com você. Até porque, você nunca se relacionou com essa pessoa para saber se ela é tudo isso mesmo. Já te ocorreu que o namorado lindo, simpático e inteligente da sua amiga pode ser cheio de manias chatíssimas?
 - Não.
 - Viu? Porque só te ocorre o lado bom. Você nem pensa nos defeitos. Assim fica difícil mesmo. Você obviamente vai se sentir um lixo e injustiçada pelo mundo, porque suas amigas namoram as pessoas mais perfeitas e você não. 
 - Talvez então elas não sejam tão perfeitas.
 - Certamente! Mas isso você não vê porque não quer e porque talvez não esteja ao seu alcance. Porque certamente o cara vai se portar de um jeito na sua frente, quando você sair com o casal, e de outro quando ele estiver escovando os dentes antes de dormir com a namorada dele e sua amiga. 
 - Tá. Acho que me sinto melhor então.
 - Bem-vinda ao mundo!


Vocês já fizeram esta reflexão? Qual é a maior diferença entre o sexo feminino e masculino? Esqueçam as físicas. E aqueles homens super apaixonados e intensos, diriam o que sobre isso tudo? O homem prefere se relacionar em uma instância física apenas? Porque eu não acho que seja uma incapacidade, mas seria uma escolha?


VS.

domingo, 19 de julho de 2009

"Zonas Úmidas" tem sexo, bizarrices e afins


Quem já leu, conte-me o que achou! E para quem não conhece, vale a pena!
É um convite para uma leitura peculiar, principalmente para o sexo feminino!

VS.