terça-feira, 12 de agosto de 2008

Encontro no tempo quase-perfeito

O horário marcado era 22h e ainda faltava meia hora, mas eu corro como se estivesse atrasada um dia. De certa forma eu estou. Deveria ter feito tudo isso há algum tempo. Não fiz. Não foi possível. Me cobro agora como se fosse. A ansiedade faz isso.

Faz frio e eu tenho certeza que sinto o gelado do ar mais do que qualquer pessoa. Meu corpo treme e sinto minhas mãos e pés congelados. Tenho que confessar que estou nervosa há dias, pensando neste momento. Paro dez segundos para respirar e observo estes mesmos dez segundos dos traseuntes que ali estão: metade deles tira foto em cima da ponte; um casal namora no banquinho perto de mim e algumas crianças brincam com uma bexiga que acaba de voar pelo rio. Eu ali, parada, me pergunto se está saindo alguma coisa nestas fotos, porque a luminosidade é precária. Por dois segundos você então, sai da minha cabeça.

Sem concluir raciocínios e responder perguntas, me apresso. Os meus pés parecem começar a descongelar. Atravesso finalmente a Puente de la Mujer. Uma ponte que leva mulheres de um momento a outro. Ainda faltam 27 minutos. Agora eu me acalmo e espero. Não demora muito senão eu mudo de idéia. Vem. Escolho um lado para te esperar, o direito. Acho que você virá de lá.

O combinado era vir. Não valia não aparecer. Regra que eu mesma pensei e não sei se te contei. Então vem?


VS.

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