quarta-feira, 27 de maio de 2009

Cocôlandia

Não sei exatamente qual o motivo, mas me deu uma vontade de escrever sobre cocô.

É, aquilo que fazemos todos os dias, ou não. Eu não vejo nenhuma beleza em qualquer cocô e nem acho que o meu filho fará um cocô lindo ou bonitinho. Mas é seu filho! Sim e ele será muito comum em pelo menos um ítem: o cocô. Ele fará cocôs fedidos sempre. Acho importante dar um jeito de garantir isso.

Todas as situações ligadas ao cocô costumam ser constrangedoras. Só quando se é bebê que o cocô não vira história. Mas quando vira, pode ter certeza que é de dar muita vergonha. A descarga quebra depois que você fez cocô. E nem precisa ser aquele cocô, pode ser um pequenino e tímido. Fica difícil chamar alguém para consertar, porque esta pessoa vai acabar levantando a tampa da privada e conhecerá uma de suas partes mais íntimas. O cocô então fica lá adormecido, naquele cubículo de pouca água. Dois ou três dias depois do início da hibernação, a água já virou lama. Vai chamar o conserto agora? Claro que não. O moço ainda vai achar que você estava com diarréia. A situação fica grave em poucos dias.

O tempo passa e você continua sem usar o seu banheiro e preocupada com aquele tempo prolongado de hibernação. Nem chegamos no inverno. Será que esperar até o inverno é uma boa saída? O cocô se desintegra depois de tanto dormir na água? Ai, não. Nada disso. Talvez seja uma boa evacuar a casa e chamar o zelador. Viajar para bem longe enquanto ele dá uma olhada na merda que você fez. Seu cocô de merda! E como olhar para o zelador depois? Ele sabe que aquele cocô é seu. Está no seu banheiro. Claro que alguém poderia ter usado o meu banheiro para isso, mas vai ser muito difícil convencê-lo disso. E não preciso esticar a piada. Depois que o cocô partir, o assunto pode ser encerrado.

Também não posso começar a tratar o moço melhor do que já trato. Ele não vai passar a gostar do meu cocô só porque eu tenho distribuído sorrisos todos os dias. Tá. Não vou falar nada. Tenho que saber que serei para sempre a garota do cocô! Ele vai lembrar disso para o resto da vida e eu também. Teremos um segredo do qual jamais vamos conversar sobre. Isso é, se ele entender que é um segredo, caso contrário, todas as aracterísticas do meu marronzinho-íntimo serão descritas no relatório do condomínio que é publicado no quadro de avisos!

Vou me desapegar do cocô e chamar o zelador agora. Preciso sair de casa também. Tenho que pedir para alguém atendê-lo. Serão duas pessoas conhecendo o marronzinho. Ai Deus que eu não acredito! Será que se eu acreditar muito em você, o Senhor termina com essa hibernação fora de hora?

Interfone na mão. Chave do carro na outra. Preciso que o zelador suba aqui. Tchau, o elevador chegou!

VS.


obs - este texto não tem cheiro.

5 comentários:

Daniella disse...

Oi Lú, amei, amei, amei!!!
Não por ser cocô, claro, mas por ser absolutamente rotineiro e real... E já que o assunto é intimidade, confesso que não entendo como tem gente que tem ritual pra fazer a coisa... tal horário, com jornal na mão, coisas desse tipo... Pra mim não tem nada de ritual, é biológico, igual tomar água ou fazer xixi, rola quanto tem vontade e pronto!

digoman disse...

Luzita, minha amada imortal...sensacional a maneira como vc escreveu sobre o tao polemico e perturbador coco(desculpe, teclado gringo nao tem acento, hehe). E pensar q ha pessoas q nao acreditam que da pra se falar de escatologia de uma maneira digamos, ate poetica como vc fez. Sim, algo tao corriqueiro na nossa vida q e ALIVIAR OS INTESTINOS nao devia ser tao pavoroso como muita gente acredita. Chega de terrorismo com o coco. facam coco gente, conversem com ele e facam como eu, que mesmo com meus 31 aninhos bem vividos ainda dou tchau pro marronzinho quando a descarga leva ele embora

Violet Scott disse...

Descobri que há laços afetivos entre o cocô e seu dono. Muito importante isso.

VS.

nana disse...

Separei, vou buscar amanhã. Quero um tênis cor de rosaaaaaaa! e vc, matou a fome? hihih. beijim

Tiago F. Moralles disse...

Que apesar do contexto, o texto ficou bem longe de um cocô.

Bacana.

Microbeijo.