E o mundo não parou quando eu quis que ele parasse. Eu acreditei em Deus neste exato momento, eu supliquei para que ele me ouvisse, mas todos estavam muito ocupados quando eu precisei que tudo se calasse para que a minha voz te invadisse. Eram cinco segundos, muito pouco, mas as luzes não iriam brilhar mais e nem as buzinas cessariam. Eu não sabia. Fui vítima da minha própria crença. Da minha vontade, posta naquele tempo como a maior vontade de todos os tempos. Me assustei com tanta força, com tanto meu, com tanto querer, mas era genuíno e eu só podia fechar os olhos e saber que estava tudo bem.
Meus olhos cruzaram a paisagem revelada através da janela. O mundo continuava igual, escancarado para quem quisesse ver e, inclusive para mim, que já não queria mais vê-lo. Ao menos não daquela maneira. Depois de entender que tudo estava no seu devido lugar, eu só podia encontrar um canto, dentro do que aquela janela me apresentava, para pertencer e continuar andando. O tempo não vai parar, eu vou ter que acompanhá-lo e andar no compasso, acrescentando as minhas notas, para construir a minha música. E olha, se eu quiser que a minha música seja sua, eu prometo que canto ela na sua alma, para ficar lá para sempre.
Se a gente pudesse construir um outro mundo, ele seria como?
VS.